Se juntar ao apelo pela libertação dos presos políticos na Venezuela não pode ser pretexto para que nós venhamos a deixar de ter um ponto de vista crítico sobre o que ocorre no país vizinho. Novamente, o engenheiro de sistemas e ex-militar do exército venezuelano, professor Alexander Aragol, morador de Chapecó, colabora com a coluna entregando mais uma opinião sobre a Venezuela, não como um político, mas sim um venezuelano, como muitos fora do país que sentem a ausência da pátria na alma.
Para Alexander, uma nação que outrora representou prosperidade e esperança enfrenta atualmente o fim gradual de um longo período autoritário e o início incerto de uma transição histórica: "Anos de colapso econômico, social e político marcaram profundamente o país e forçaram a migração de milhões. Em meio a esse cenário, eventos antes impensáveis colocaram a Venezuela no centro do debate internacional sobre o seu futuro e a sua legítima evolução política”.
Do ponto de vista de Aragol, a história oferece uma oportunidade única: "não apenas para recuperar a nossa dignidade democrática, mas para nos construirmos desde a base; com instituições fortes, uma economia a serviço do povo e uma visão de liberdade real e sustentável. Mas embora a captura do ditador seja um grande passo, este não é um momento para comemoração desenfreada”.
Alexander defende um momento para reflexão com maturidade histórica: "Se repetirmos os erros do passado; Como dependente de um único recurso ou de soluções externas sem desenvolvimento interno, a Venezuela continuará presa em seu próprio ciclo de frustrações. Hoje, mais do que nunca, acredito que a liberdade não será um presente, mas o resultado da responsabilidade coletiva de milhões de venezuelanos que desejam uma pátria e um futuro.
Aragol conclui afirmando que a Venezuela não está encerrando sua história, pelo contrário, está escrevendo um novo capítulo, decisivo: "Está em nossas mãos não repetir o que tanto nos tirou, mas construir o que sempre sonhamos”. Conforme as expectativas de Alexander e de outros líderes da comunidade venezuelana em Chapecó, cerca de 25% dessa população voltaria a viver na Venezuela a curto ou médio prazo, o que demonstra a seriedade dos riscos que o país vizinho tem de errar outra vez nas suas decisões de futuro.
Recadinhos
- O Fórum Econômico Mundial em Davos começa hoje (19). Isso significa que vários jatinhos particulares estarão pousando perto da pequena cidade dos alpes suíços, levando executivos e os nomes mais poderosos do mercado ao evento.
- Conforme a newsletter The News, serão mais de 850 presidentes de empresas, incluindo o CEO da Nvidia e o CEO da Microsoft. Apesar disso, todos estarão de olho mesmo no que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem a falar.
- Na agenda oficial do evento, o discurso dele está agendado para quarta-feira (21). Mas, ao que parece, ele pode precisar fazer alguns ajustes no roteiro do que vai falar até lá…
- Isso porque parlamentares da União Europeia estão considerando impor tarifas de € 93 bilhões aos Estados Unidos, depois que Trump prometeu impor tarifas extras de 10% aos países da OTAN que apoiaram a Groenlândia.
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